26 março 2026

o perfume

o perfume, o sentir a incandescência de um olhar

camuflado pela espuma e brancura, o perfume sentenciado

e acorrentado, à fogueira, e ao lume

no ciúme

 

e na morte que os vai separar, o perfume, o dizer

e deixar numa página solta, as migalhas que restaram do poema

na misturada argamassa de tinta e pão

e algumas pétalas

 

e em desespero, a mão

em busca da fragrância, do silêncio, e da voz

que poisa no meu corpo

e rasga a milha pele

 

o perfume, o ciúme, em brando lume

e sei que quando regressar a noite, muito mais logo

eu pareça uma vírgula, estonteante, e torta

e surda, como uma porta

 

26/03/2026, 18:05