o perfume, o sentir a incandescência de um olhar
camuflado pela espuma e
brancura, o perfume sentenciado
e acorrentado, à
fogueira, e ao lume
no ciúme
e na morte que os vai
separar, o perfume, o dizer
e deixar numa página
solta, as migalhas que restaram do poema
na misturada argamassa de
tinta e pão
e algumas pétalas
e em desespero, a mão
em busca da fragrância,
do silêncio, e da voz
que poisa no meu corpo
e rasga a milha pele
o perfume, o ciúme, em
brando lume
e sei que quando
regressar a noite, muito mais logo
eu pareça uma vírgula,
estonteante, e torta
e surda, como uma porta
26/03/2026, 18:05