(sobre a secretária, 3
tristes bolachas
três bolachas que
desapareceram, poisadas
sobre a minha secretária)
era o vento o sofrido
vento, era o sono, a luz
diáfana de uma abelha em flor
que de flor, em flor, que
suspensa, às vezes
se despede de mim, e
me diz que amanhã, depois
talvez
a fogueira ainda esteja
acesa, que da janela, ainda eu sinta o perfume do mar
que além-mar, as cartas
ao léu, do pacheco, que entre pedras
dentro de penhascos, a
saliva de uma vagina, no livro perfeito
em agonia, subindo até ao
céu, de joelhos
pedindo a deus, perdão
escrevendo nos quatro
caminhos, que o vento sofrido
no vento sentido, que se
dizia, amigo
e se sentava, na minha
mão
que às vezes que tantas
vezes, de tão cansada estar,
apenas
apenas consegue escrever,
na algibeira da noite
que o vento sofrido é um
sítio de mim.
Só. Sem ninguém.
06/02/2026, 21:48
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