06 fevereiro 2026

vento o sofrido

(sobre a secretária, 3 tristes bolachas

três bolachas que desapareceram, poisadas

sobre a minha secretária)

 

era o vento o sofrido

vento, era o sono, a luz diáfana de uma abelha em flor

que de flor, em flor, que suspensa, às vezes

se despede de mim, e

me diz que amanhã, depois

talvez

 

a fogueira ainda esteja acesa, que da janela, ainda eu sinta o perfume do mar

que além-mar, as cartas ao léu, do pacheco, que entre pedras

dentro de penhascos, a saliva de uma vagina, no livro perfeito

em agonia, subindo até ao céu, de joelhos

 

pedindo a deus, perdão

escrevendo nos quatro caminhos, que o vento sofrido

no vento sentido, que se dizia, amigo

e se sentava, na minha mão

que às vezes que tantas vezes, de tão cansada estar,

apenas

 

apenas consegue escrever, na algibeira da noite

 

que o vento sofrido é um sítio de mim.

Só. Sem ninguém.

 

06/02/2026, 21:48

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