Corrigindo com assiduidade,
uns dias
Todos os outros dias, que
me canso, que me invento
Vestindo-me de vento,
Fingindo que não sinto, sentir a raiz do
pensamento
Fingindo, está à janela o
senhor Álvaro de Campos, fingindo que fuma, fingindo
Que do outro lado da rua,
a menina
Brinca, & come
chocolates
Fingindo, também
fingindo, está o senhor Mário de Sá-Carneiro, fingindo que tem uma secretária,
que sobre a secretária tem um revolver, e pertinho
Também fingindo, está a
bala
Que disparada por ele,
fingindo
Matou o poeta, apenas
fingindo
&
Depois, & depois
Isto, & aquilo, &
Enrolo um cigarro, e
penso
E em tanta coisa que o
senhor Álvaro de Campos podia pensar, mas pensar em quê?
Se ele nunca foi nada, à
parte disso, tinha em si, todos os sonhos do mundo
Não, não mais desejarei,
nem a morte
Nem a sorte, nem outra
coisa qualquer
Que me duplique, e que me
faça acreditar, que o AL Berto, que o Pacheco, foram felizes,
Tanto como eu o sou, à
minha maneira
Janelas do meu quarto, e o
que vejo e sinto
A não ser, a poeira azul
de um sonho de menino, e penso
Que a raiz quadrada de
vinte & cinco,
Cinco, depois, &
aquilo
Depois,
O cansaço, a dor, & o
sono de uma aldeia que já foi cidade, e que hoje é dor, e que
Hoje, e que hoje passeia,
e que hoje
E que hoje é um barco sem
idade
E que sobre o mar semeia,
Isto
&
Aquilo, SA.
19/02/2026, 22:24
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