23 fevereiro 2026

enquanto eu esperava, eu iluminei o teu caminho

enquanto eu esperava, eu iluminei o teu caminho

desenho por desenho, traço a traço

sentindo o vento, sentindo

a camisa aos quadradinhos quase esquecida sobre o muro, na

algibeira, a enseada água também, a vertigem

também, a medula óssea que separa a vida, do além-mar

também as metástases de uma noite de inverno, quase fria

tão quase como o inferno, depois da chuva

 

tão míngua a claridade de uma agulha, tão mísera a dentadura de uma abelha, que devora

cada flor em flor, e de cada pedra sobre a pedra

que a charrua barafusta, que da charruara augusta, e a difusa

vertebral espinhal, sob os pinceis ainda com réstias de comida do anterior dia,

que tanta foi a luz, e que tão pouca ou quase nada, foi a primavera passada

 

enquanto eu esperava, eu iluminei o teu caminho

desenho por desenho, traço a traço

sentindo o vento, sentindo

os gatos, são parvos

e a fórmula secreta de os afugentar é precisamente, não lhes dar confiança

com a devida, distância

 

e vénia.

 

23/02/2026, 22:05

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