enquanto eu esperava, eu iluminei
o teu caminho
desenho por desenho,
traço a traço
sentindo o vento,
sentindo
a camisa aos quadradinhos
quase esquecida sobre o muro, na
algibeira, a enseada água
também, a vertigem
também, a medula óssea
que separa a vida, do além-mar
também as metástases de
uma noite de inverno, quase fria
tão quase como o inferno,
depois da chuva
tão míngua a claridade de
uma agulha, tão mísera a dentadura de uma abelha, que devora
cada flor em flor, e de
cada pedra sobre a pedra
que a charrua barafusta,
que da charruara augusta, e a difusa
vertebral espinhal, sob
os pinceis ainda com réstias de comida do anterior dia,
que tanta foi a luz, e
que tão pouca ou quase nada, foi a primavera passada
enquanto eu esperava, eu
iluminei o teu caminho
desenho por desenho,
traço a traço
sentindo o vento,
sentindo
os gatos, são parvos
e a fórmula secreta de os
afugentar é precisamente, não lhes dar confiança
com a devida, distância
e vénia.
23/02/2026, 22:05
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