18 fevereiro 2026

e dorme nos teus seios

coloco a minha mão nos teus seios, e acaricio-os

como se fossem uma ribeira louca, em fúria para um rio, em paz, quando chega ao mar

e só a minha mão sabe, onde se escondem os teus seios, quando é noite

e eu,

e eu pertenço aos teus sonhos, e é luar nos teus seios

 

e eu sou os teus seios, e a minha mão

é uma caneta de tinta permanente, em permanente descanso

sobre um papel quadriculado qualquer, no silêncio do vento

ou até, no ventre teu,

 

coloco a minha mão nos teus seios, e sinto o perfume da noite

quando um jardim quase branco, quando um pedaço de desejo, azul-total,

e quatro ripas de sombra se cruzam, e uma janela de luz

poisa, e dorme,

 

e dorme nos teus seios.

 

18/02/2026, 00:23

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