é a chuva que nós
sentimos, que sentimos tanto, que tanto aleija
no tanto que sente,
quando em nós bate, e quando de nós parte e mente
que a chuva que nós
sentimos, e a sentimos e lhe tocamos
que a chuva traz o
feitiço
é a chuva que nós
sentimos, no ente
que sente, e que fugimos
quando ainda é amanhecer
a chuva que nós sentimos,
e o fingimos
o ser, quando nunca o
fomos
nem tão pouco o sabemos
escrever, num corpo morto
do torto corpo a
emagrecer, cada vez mais, no seu sofrer
que a chuva em nós bate,
e de nós parte
para outro viver
é a chuva que nós
sentimos, que sentimos tanto, meu deus
que a chuva que nós
sentimos e em nós bate,
é o tesão de um pequenino
grão de pólen
que depois de saboreado
pela abelha
é esperma, é a luz de uma
drageia
é a morte quase
anunciada, quase
a chuva, a chuva que
molha, e que tanto sobeja
nos seios de uma arara
07/02/2026, 04:41

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