07 fevereiro 2026

é a chuva que nós sentimos

é a chuva que nós sentimos, que sentimos tanto, que tanto aleija

no tanto que sente, quando em nós bate, e quando de nós parte e mente

que a chuva que nós sentimos, e a sentimos e lhe tocamos

que a chuva traz o feitiço

 

é a chuva que nós sentimos, no ente

que sente, e que fugimos quando ainda é amanhecer

a chuva que nós sentimos, e o fingimos

o ser, quando nunca o fomos

 

nem tão pouco o sabemos escrever, num corpo morto

do torto corpo a emagrecer, cada vez mais, no seu sofrer

que a chuva em nós bate, e de nós parte

para outro viver

 

é a chuva que nós sentimos, que sentimos tanto, meu deus

que a chuva que nós sentimos e em nós bate,

é o tesão de um pequenino grão de pólen

que depois de saboreado pela abelha

 

é esperma, é a luz de uma drageia

é a morte quase anunciada, quase

a chuva, a chuva que molha, e que tanto sobeja

nos seios de uma arara

 

07/02/2026, 04:41

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