01 janeiro 2026

Uma veia lascada no tempo

Se até uma veia lascada no tempo é a infância de um pedaço de aço,

Se até a vaidade, ser o que não se é

Ou ser, sem que ninguém perceba

Que há ser, sempre que uma borboleta dorme na tela do artista, e sempre que há na cama do poeta, uma nua mulher

Se até uma veia lascada

Em tempos, no tempo

É também uma madrugada,

Ou uma cidade que arde, e que se afunda no oceano mar

Da despedida, o querer

 

Se até uma veia, é uma infinita conduta, que transporta o sangue, e a luta

Sempre que de uma veia, outra veia se avizinha, que cada um destes socalcos, são sombras, e são migalhas desperdiçadas, sobre uma mesa flutuante, em voos rasantes e desonestos de uma gaivota, ou de um sino

Na torre da igreja

 

E que a luz tanto aleija, como a enxada de vidro, que é o negro pão nas mãos

Do cavador sem nome, no silêncio amargo, e triste, de uma videira centenária

Que todos, todos

Que todos já morreram, e que a espada da vida, se crava, e que grita

No pedaço de rocha,

Que ainda habita

 

Que tantas vezes e tantas vezes,

Se ergue, e levita

E se dorme, dentro de uma veia, de uma veia aflita

Que também grita, e que também levita

Como o pedaço de rocha, que ainda habita

Na penumbra infância, sempre que uma lágrima é semeada, outra lágrima, morre

Sabendo que outra lágrima é amada

 

E que nunca teve um nome, e que nunca teve uma farda, e tinha uma espingarda de pano,

Que quando se premia o gatilho, ela

Ela disparava sempre por engano,

 

Se até uma veia lascada no tempo é a infância de um pedaço de aço,

Se até a vaidade, ser o que não se é

 

Hoje, por engano.

 

01/01/2026, 08:48

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