Se até uma veia lascada
no tempo é a infância de um pedaço de aço,
Se até a vaidade, ser o
que não se é
Ou ser, sem que ninguém
perceba
Que há ser, sempre que
uma borboleta dorme na tela do artista, e sempre que há na cama do poeta, uma
nua mulher
Se até uma veia lascada
Em tempos, no tempo
É também uma madrugada,
Ou uma cidade que arde, e
que se afunda no oceano mar
Da despedida, o querer
Se até uma veia, é uma
infinita conduta, que transporta o sangue, e a luta
Sempre que de uma veia,
outra veia se avizinha, que cada um destes socalcos, são sombras, e são
migalhas desperdiçadas, sobre uma mesa flutuante, em voos rasantes e desonestos
de uma gaivota, ou de um sino
Na torre da igreja
E que a luz tanto aleija,
como a enxada de vidro, que é o negro pão nas mãos
Do cavador sem nome, no
silêncio amargo, e triste, de uma videira centenária
Que todos, todos
Que todos já morreram, e
que a espada da vida, se crava, e que grita
No pedaço de rocha,
Que ainda habita
Que tantas vezes e tantas
vezes,
Se ergue, e levita
E se dorme, dentro de uma
veia, de uma veia aflita
Que também grita, e que
também levita
Como o pedaço de rocha,
que ainda habita
Na penumbra infância,
sempre que uma lágrima é semeada, outra lágrima, morre
Sabendo que outra lágrima
é amada
E que nunca teve um nome,
e que nunca teve uma farda, e tinha uma espingarda de pano,
Que quando se premia o
gatilho, ela
Ela disparava sempre por
engano,
Se até uma veia lascada
no tempo é a infância de um pedaço de aço,
Se até a vaidade, ser o
que não se é
Hoje, por engano.
01/01/2026, 08:48

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