Antes que o fosse,
pertenci eu ao murmúrio de pertencer
A este barco sem nome, o que
diria o Bandarra, se me visse, hoje?
Se me ausentasse, hoje
Se me vestisse, eu de
centeio
Dançando nas mãos do
vento, me erguendo, e me sentando
Entre as outras palavras
que o outro mar esconde, que é hoje,
O trigo de uma aldeia,
que molha, e que incendeia,
A urge migalha de um
sonho.
Se me ausentasse, hoje
Que este sonho não tem
pernas nem braços nem cabeça
É um pedaço de qualquer
coisa, acamado em qualquer coisa
Como um corpo sentado, na
sombra de uma ponte,
E que espera,
A morte.
Ou o triste destino, o
destino sem sorte
Antes que o fosse,
pertenci eu ao murmúrio de pertencer
A este barco sem nome, o que
diria o Bandarra, se me visse, hoje?
Triste e também eu, sem nome.
14/01/2026, 04:26

Sem comentários:
Enviar um comentário