14 janeiro 2026

Triste e também eu, sem nome

Antes que o fosse, pertenci eu ao murmúrio de pertencer

A este barco sem nome, o que diria o Bandarra, se me visse, hoje?

 

Se me ausentasse, hoje

Se me vestisse, eu de centeio

Dançando nas mãos do vento, me erguendo, e me sentando

Entre as outras palavras que o outro mar esconde, que é hoje,

O trigo de uma aldeia, que molha, e que incendeia,

 

A urge migalha de um sonho.

 

Se me ausentasse, hoje

Que este sonho não tem pernas nem braços nem cabeça

É um pedaço de qualquer coisa, acamado em qualquer coisa

Como um corpo sentado, na sombra de uma ponte,

 

E que espera,

 

A morte.

 

Ou o triste destino, o destino sem sorte

 

Antes que o fosse, pertenci eu ao murmúrio de pertencer

A este barco sem nome, o que diria o Bandarra, se me visse, hoje?

 

Triste e também eu, sem nome.

 

14/01/2026, 04:26

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