todas as árvores, são
pássaros, são palavras
conversadas, são a terra
depois de lavrada, a cada mão, o toque
o quase silêncio da tua
voz, tão parecendo a morte
todas as árvores, são
pássaros, são medos
no triste desejar, no só
nocturno destino
de não ter sorte, de não
ter pátria, nem o mar menino
para abraçar, todas as
árvores, pássaros que o são
são ruas e são esquinas
de luz, e são o amar
e o escrever, amo-te
ou até,
ou até no despedir
e voar sobre a montanha
mais azul, dos teus olhos
todas as árvores, são
pássaros, são palavras
porque os livros também
são gente, porque as árvores, são pássaros
nas migalhas de um olhar,
quando a chuva é o oiro
mais lindo, e mais belo
da colmeia, que sente
todas as árvores,
pássaros, pássaros
querendo desenhar no sol,
o som do capim
quando o vento do céu
trazia, aos poucos o trazia
o meu colorido papagaio
em papel, da tua mão
meu amor
meu amor, todas as
árvores são pássaros, são palavras
desmedidas, são calçadas
sem saída, das ruas, e das mansões de negro ter, à janela a flor de uma
vírgula, tão vírgula, e tão linda
que faz do poema, a cama,
onde te abraçar, é o desejo
em te escrever, no teu
corpo
em te amar
são as árvores são
pássaros, e medos e palavras
são campas de homens
adormecidos, rasas, tão rasas que o eram, as palavras, antes de acordar o dia,
e que amanhã, serão a
floresta, e o bravio frio de um inverno inventado na língua de um sonho;
olhar os teus olhos pela
primeira vez.
23/01/2026, 05:37
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