23 janeiro 2026

todas as árvores

todas as árvores, são pássaros, são palavras

conversadas, são a terra depois de lavrada, a cada mão, o toque

o quase silêncio da tua voz, tão parecendo a morte

todas as árvores, são pássaros, são medos

no triste desejar, no só nocturno destino

 

de não ter sorte, de não ter pátria, nem o mar menino

para abraçar, todas as árvores, pássaros que o são

são ruas e são esquinas de luz, e são o amar

e o escrever, amo-te

ou até,

ou até no despedir

 

e voar sobre a montanha mais azul, dos teus olhos

todas as árvores, são pássaros, são palavras

porque os livros também são gente, porque as árvores, são pássaros

nas migalhas de um olhar, quando a chuva é o oiro

mais lindo, e mais belo da colmeia, que sente

 

todas as árvores, pássaros, pássaros

querendo desenhar no sol, o som do capim

quando o vento do céu trazia, aos poucos o trazia

o meu colorido papagaio em papel, da tua mão

meu amor

 

meu amor, todas as árvores são pássaros, são palavras

desmedidas, são calçadas sem saída, das ruas, e das mansões de negro ter, à janela a flor de uma vírgula, tão vírgula, e tão linda

que faz do poema, a cama, onde te abraçar, é o desejo

em te escrever, no teu corpo

em te amar

 

são as árvores são pássaros, e medos e palavras

são campas de homens adormecidos, rasas, tão rasas que o eram, as palavras, antes de acordar o dia,

e que amanhã, serão a floresta, e o bravio frio de um inverno inventado na língua de um sonho;

olhar os teus olhos pela primeira vez.

 

23/01/2026, 05:37

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