Quatro peixes que eu tenho, alguns dos meus poetas, tinham gatos
Gatos pretos, e gatos
brancos,
Eu,
Eu odeio gatos, e tinha
quatro peixes,
Tinha,
Porque hoje dei-me conta,
que um dos meus peixes
Zarpou aquário fora,
talvez tenha ido à pesca, ou à loja do continente,
Para foder, depois, a
cabeça à gente
Com tanta promoção e com
tanto, e tanto
Talão.
Uma vez que o era, quando
ainda ele sentia, que a cada novo dia, certamente
O nojo seja a cura do
doente, seja
Quando a morte se
transforma na fuga de um peixe, que talvez
Que do sítio em branco
atá à sebenta do engenheiro, outro peixe se levante,
Ou até cresça, no centro
geométrico da eira de Carvalhais
Uma árvore, ou um abraço…
Ou até quem sabe, no
centro geométrico da eira de Carvalhais, cresça, cresça um imbondeiro, e à sua
volta pedacinhos de números decimais,
Como gente sentindo, como
a gente que foge do destino
Cravando no peito, a
primeira flor da primavera,
E veja o seu rosto
impresso na necrologia dos jornais.
E depois outro peixe
partirá, e mais outro e mais outro
E depois,
Eu,
Eu o quê, concretamente?
No centro da cidade, um
apito
Um peixe perdido, um
peixe que sente
E se senta na berma da
estrada, e que se imagina
Dentro de um círculo de
luz com portas e janelas, com silêncios, e
E com velas acesas à
volta do imbondeiro, que durante a noite cresceu
No centro geométrico da
eira de Carvalhais,
E de quatro peixes, hoje
são apenas espinhas, que os gatos pretos e que os gatos brancos dos meus
poetas,
Têm sobre a mesa,
Eu o quê, concretamente?
03/01/2026, 07:36

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