05 janeiro 2026

O beijo da saudade

 

Mil sóis cinza o são, também

Em meia-dúzia de uma dúzia e meia, que de mão em mão,

De sabão uma pequena bola, tão fina como a geada, tão longínqua, como a alvorada

Sentada, na piscina

 

O destino, sino, da sina

E que me ensina as letras do meu somar,

Que os mil sóis são apenas janelas partidas que deixam entrar o ar, e são polpa no degolar da serpente, que voa, e que me mente

E a toda a gente

 

Na gente que vive doente, procurando os mil sóis de uma nocturna preguiça, ou até

O grão-silêncio de um pedacinho de milho,

Também distorcido, o vento, e o sofrido

Sorriso da última primavera passada

 

Que sente, no ventre o poema amargo, que da boca ejacula a sonolência e a demência, e o destino

Depois de o cansaço, depois que o sol dormiu na mão de uma faúlha de saudade,

Sempre que o dia acordava, e lhe desenhavam na face um beijo; o beijo da saudade.

 

05/01/2026, 14:34


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