06 janeiro 2026

Mar de papel

 

Se a árvore arde, o sabre

Dança sobre a mesa-de-cabeceira embriagada

Uma folha da árvore é órfã da lágrima do sol

E talvez um dia, os pássaros sejam árvores

Que voam, que escrevem na sombra de outras árvores

 

Árvores, que um dia foram pássaros

E que hoje, e que hoje são árvores

Que ardem, que mentem, e que sobejam às pedras

Com outras pedras, que também aleijam

 

E sentem, o oncológico destino de procurar o mar

Quando o mar é de papel, quando o mar foi criança

Criança-menino que brincava, nas mãos do mar

E que sonhava, um dia

 

Um dia, um dia voar…

 

06/01/2026, 22:47


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