01 janeiro 2026

a luz candeia de uma vírgula

 

sobre a mesa, a luz candeia de uma vírgula

cinzenta, triste, em pó e poeirenta

o cansaço permite a distância, e a ausência

rio faminto, em cio e em permanência, o alerta de uma vidraça,

a janela é angustia, é tristeza que lavra a terra

sobre o soalho da aldeia, que chateia

 

que incendeia a outra vírgula cinzenta

e que também lamenta, e sente

no corpo a dureza do diamante, lacrada e indultada

a calçada quase doente, quase envergonhada

 

que sente em cada mão, a caduca árvore

sentada sobre a sombra, sobre a mesa

a luz candeia da última porta para a noite, as escadas são limalhas, são pedacinhos de chuva

que o mar enterra, que no mar

 

se escondem.

 

01/01/2026, 15:02