sobre a mesa, a luz
candeia de uma vírgula
cinzenta, triste, em pó e
poeirenta
o cansaço permite a
distância, e a ausência
rio faminto, em cio e em
permanência, o alerta de uma vidraça,
a janela é angustia, é
tristeza que lavra a terra
sobre o soalho da aldeia,
que chateia
que incendeia a outra
vírgula cinzenta
e que também lamenta, e
sente
no corpo a dureza do
diamante, lacrada e indultada
a calçada quase doente,
quase envergonhada
que sente em cada mão, a
caduca árvore
sentada sobre a sombra,
sobre a mesa
a luz candeia da última
porta para a noite, as escadas são limalhas, são pedacinhos de chuva
que o mar enterra, que no
mar
se escondem.
01/01/2026, 15:02
