13 dezembro 2025

Que ainda ontem

Que ainda ontem éramos o silêncio da última paragem da noite, mas a luz do sol está em pedaços de dezembro, mas...

Uma criança que também não tem tempo para disfarçar a tristeza de uma mágoa, nem destino nem um homem com uma insónia, poderão lhe trazer, a vida de um soldado de tinta, que é a única sílaba de um relógio de timidez

Que ainda ontem éramos dois sonhos de uma mão, que ainda ontem éramos,

O vinho e o beijar no toque de uma casa que ainda não terminou o fogo de saber a verdade,

Que a mentira lhe disse que também podem ser poetas os teus cabelos no silêncio da chuva...

Que ainda ontem éramos a cidadela do mar e que também podem ser felizes os teus olhos mortos em flor, o beijar-te loucamente no silêncio de um cobertor, o nu teu corpo é quase gelo mas a vida não terminou, e o teu corpo

Que ainda ontem éramos a primeira parte de um dia quase nos teus braços, e

Que ainda ontem éramos o silêncio da última paragem da noite; o teu sexo que procura a minha mão vírgula, eu lhe direi, que ainda ontem éramos,

Dois corpos.

13/12/2025, 08:29


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