Sou…
Sou, sou a lezíria que
passa, e que leva na mão
A mordaça, que a minha
mão, em lágrimas, e em brasa
Da mão que enlaça, e
desenlaça, a baraça da mão
Na mão, em brasa,
Sou, sou a aldeia, que
passeia por mim, e que semeia
Na outra meia
A terra meia-lavrada, às
vezes, aldrabada
Como a roupa que
vestimos,
E como a terra lavrada,
Sou, sou o invisível, e
fusível
Do eléctrico quadro, no
eléctrico destino
Que a frieza de uma
sombra, de vez em quando
Até que é apetecível, e
moderno
Tal como a eléctrica
corrente,
Que é o resultado, às
vezes, falha, como eu que sou um falhado
Multiplicando a
Resistência pela Intensidade (E=R x I),
De uma vírgula, submersa
e imersa, nas minhas veias
Que são teias, e que têm saudade
Como se eu acreditasse
que tenho quilómetros de veias e vasos e
Foda-se; acabo de entrar
na mecânica dos fluidos, e tantos, e
Que são os orgasmos
fluidos, sitiados numa amoreira,
Que talvez o meu pai em
vez de
Tinha untado as botas,
Ou feito um queijo,
Mas não, era teimoso, tão
teimoso, que
Me fez eu.
25/12/2025, 22:45

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