Não pertenço a esta
terra, arada charrua encravado rio
Na transversal despedida,
que parto, sem nunca ter pertencido
A esta terra, a esta
gente que me odeia
Não pertenço a esta
terra, a esta terra que em mim semeia
As espadas e as balas e
as pedras, sem nunca ter oferecido
À terra que me odeia, o
centeio, e o milho
De eu ter nascido,
nascido sem nunca ter eu pertencido
A esta terra, a esta
terra sempre escondida
Nos seios de uma outra
terra, e de outro mar
Eu vim, a outro mar eu
pertenci
Que esta terra nunca me
amou, e nunca me vai amar
E que o meu corpo é
cansaço, e que o meu corpo é sangue
Disfarçado de uma terra,
de não gente, de uma terra que nunca sentiu, e que nunca sente
Que há gente, doente e
sem lar
Que desta terra eu sinto
o meu apedrejar
E que cada palavra minha,
a esta terra nunca pertenceu
Nem será lagrima do mar
Mas a terra de quem sofreu.
29/12/2025, 05:49

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