27 dezembro 2025

A voz quase terra semeada


 

A voz quase terra semeada, no arado cansado

De um pequeno prado, numa distante aldeia, que ladeia, e semeia

Num quarto triste e nu, com janela para o mar

Na fogueira areia o silêncio de uma espada

Em meu peito cravada, na tua mão

Incendiada pela espuma de uma ausência…

 

Da luz de uma madrugada

A voz quase terra semeada, e dos seios do pôr-do-sol

A chave de uma prisão, até à lua, nua

A claridade de cada novo dia

Que a poesia renasce, e a montanha abrasa

A asa de um pássaro em brasa.

 

A voz encalhada em rochedos teus, sete luas na caverna

Em Dezembro, o sangue no vértice de uma veia, sereia

Se do relógio ausente, sente, o enforcado pássaro

No destino, o menino

Dançando sobre a chuva

Na chuva de uma serpente.

 

27/12/2025, 03:24

Sem comentários:

Enviar um comentário