02 novembro 2025

uma vírgula em desassossego

Oiço os sinos verticais de uma vírgula em desassossego, oiço-os

Sempre que o nome, não é mais um nome

Quando uma rocha, não rocha mais será

Ou tão pouco,

No acordar

Em destronar  

O corredor tão longe da água cristalina, a vírgula

Porra,

Desceu à terra, e novamente, se foi

 

Se foi, e se fodeu

Da ausência de uma página, o nome não mais lhe pertence, e que se foi

Todo o parágrafo de uma vida,

Deitou fogo ao livro e à vida, maldita vírgula, maldita vida e livro maldito

E hoje tudo arde, e hoje tudo morreu

Na fimbria noite à lareira, e oiço

Também,

Um frio leve em fogo coroado nos reinos de ontem,

Também se foi, o livro

 

Fiquei eu.

E também que me fodi.

 

02/11/2025


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