Tenho no corpo
o sentido proibido do
silêncio
os ossos choram todas as
madrugadas
das lágrimas
as palavras
e nas mãos o feitiço do
amanhecer
querer
não quero
ser
sem o saber
a leveza insignificante
dos meus braços
suspensos no sorriso do
luar
não acredito
acreditar
nas nefastas sentinelas
da noite
o amor camuflado
caminhando no capim
as pálpebras cinzentas
misturadas nos cigarros
embriagados
que só o fumo consegue
desenhar
no triste pavimento da
sanzala
oiço a sombra da paixão
voando sobre os coqueiros
o papel colorido
inventando poemas
nas nuvens cortinas do
meu aposento
os livros
os livros são como homens
em cio
cansados
cansados das sílabas em
flor
e do rio
onde adormece a ponte do
desejo
não desejando
desejar
não desejando
desejar o perfume do mar…
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