Uma rua não se diz a
ninguém, é feio
Não é chique
Não é inimaginável, um dia,
eu ser uma rua
Uma rua alegre, e quente,
e com muita gente
Que um dia uma mão não se
cruzará no interior de uma outra rua, rua
E saiu e que ainda não
regressou, despiu o casaco, semeou nas ardósias amígdalas as tomatas, os
pimentos, e às cebolas, deixou-as sobre a bancada, mergulhadas em néon, e antes
Benzidas com umas
gotinhas de nitrogénio líquido, anteriormente adquirido à casa Grifo, e em
suaves seis prestações
E uma rua sabe tudo, e de
tudo ela se esquece
Pilatos lavou as mãos,
ela apertou-lhe a braguilha, e foi-se
Que era um rebanho com
muitas, muitas poucas cabras, e tantos, que são tantos os cabritinhos
E ainda a aldeia está na
escuridão
Tão negra, a noite
A apitar, o silêncio de
uma máquina, sincronizada, afinada, afiada, e por fim,
Sepultada,
Numa qualquer sucata
O abismo é uma kalashnikov
desaparafusada, quase que ninguém lhe liga, e se liga
É para lhe perguntarem,
Lisbon, Lisbon
O gajo abriu as precianas
do olhar, e
Sigue lo alcatron; e o
comboio começou a mover-se.
13:11:2025, 22:43

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