14 novembro 2025

Cláudia

Aos poucos dispo-me da Cláudia, despeço-me de cada pedacinho da minha roupa, depois

Cada camada da minha pele, até chegar à

Ou osso, porque carne já não há

E tanta é a coisa, que era, e não o é, e é tanta a água

 

E era tanta a fé, que de na lhe serviu, e hoje é carvão

E hoje é gravilha, e ontem pertencia ao céu, e hoje

E hoje é, o último

Tanta é a água, e à água, Cláudia, lá vai ela não sei para onde vai, mas vai

 

Vai foder o telhado, a outro

A outro desgraçado, que fica desalojado

A olhar para os outros telhados

 

Tanta é a água.

 

14//11/2025, 03:22

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