15 novembro 2025

Na mão de cem mil poetas

 

Avançará, e cem mil pedras na mão de cem mil poetas, soldados do sono, avançará

Contra a falésia e contra a insónia, doente, ele

E cem mil espingardas em solidão

 

O tecto da aldeia, almeja, as janelas de uma lua esculpida a partir de uma rocha, quando do longe

Se vê a fria e fina areia do Mussulo

Porque inventaram os peixes ele se questionava

 

E as prisões onde colocamos os peixes, incluindo eu, eu que os aprisionava

Que sou feitor de quatro peixinhos, todos eles

Bandeiras apátridas de uma esquina de luz, quando

Eu ainda transportava comigo a candeia de um desejo

 

Que deixei de o ver, nem o vejo

O comandante dos cem mil poetas, soldados sem soldo

Do rio zangado, e ao rio, do rio também soldado

E que depois chamaram o Tejo.

 

15/11/2025, 21:49

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