Avançará, e cem mil pedras
na mão de cem mil poetas, soldados do sono, avançará
Contra a falésia e contra
a insónia, doente, ele
E cem mil espingardas em
solidão
O tecto da aldeia, almeja,
as janelas de uma lua esculpida a partir de uma rocha, quando do longe
Se vê a fria e fina areia
do Mussulo
Porque inventaram os
peixes ele se questionava
E as prisões onde
colocamos os peixes, incluindo eu, eu que os aprisionava
Que sou feitor de quatro
peixinhos, todos eles
Bandeiras apátridas de
uma esquina de luz, quando
Eu ainda transportava
comigo a candeia de um desejo
Que deixei de o ver, nem
o vejo
O comandante dos cem mil poetas,
soldados sem soldo
Do rio zangado, e ao rio,
do rio também soldado
E que depois chamaram o
Tejo.
15/11/2025, 21:49
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