14 novembro 2025

É hoje terra lavrada pelo filho regressado…

 

O rio sonâmbulo de uma noite em vírgulas pinceladas de água, depois da cinza, no fogo que inventou a primavera antes da chuva, ou do vento

Que se sirva da espada do primeiro orifício na mão do barco, incendiado, e que lhe dói a cinzenta estrela âncora, que o aprisiona às profundezas do mar,

Ao longe no corredor, tão longe e em flor

 

A lápide de um cinzeiro, o cigarro do pedreiro, quase todo ele, poesia e cimento, o engenheiro esfomeado, no alento

Negro quadro onde semeia equações, e forças, e

Deslocamentos, que às vezes são tão mínimos, tão mínimos

Como a ausência do cacimbo na tarde junto à baía

 

O rio sonâmbulo de uma noite, nas sandálias dos gaiatos no silêncio de um sorriso quase mouco, quase tão pouco

Como louco é, é

A lareira da minha aldeia, entre parêntesis, a vírgula

Em busca, nos Coqueiros, da mão do capim que escreveu na sanzala a palavra proibida, partir

Ele dizia-se filho do embondeiro, e depois

 

É hoje terra lavrada pelo filho regressado…

 

14/11/2025, 22:04

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