O rio sonâmbulo de uma
noite em vírgulas pinceladas de água, depois da cinza, no fogo que inventou a
primavera antes da chuva, ou do vento
Que se sirva da espada do
primeiro orifício na mão do barco, incendiado, e que lhe dói a cinzenta estrela
âncora, que o aprisiona às profundezas do mar,
Ao longe no corredor, tão
longe e em flor
A lápide de um cinzeiro,
o cigarro do pedreiro, quase todo ele, poesia e cimento, o engenheiro esfomeado,
no alento
Negro quadro onde semeia
equações, e forças, e
Deslocamentos, que às
vezes são tão mínimos, tão mínimos
Como a ausência do
cacimbo na tarde junto à baía
O rio sonâmbulo de uma
noite, nas sandálias dos gaiatos no silêncio de um sorriso quase mouco, quase tão
pouco
Como louco é, é
A lareira da minha
aldeia, entre parêntesis, a vírgula
Em busca, nos Coqueiros,
da mão do capim que escreveu na sanzala a palavra proibida, partir
Ele dizia-se filho do
embondeiro, e depois
É hoje terra lavrada pelo
filho regressado…
14/11/2025, 22:04
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