02 novembro 2025

De que preciso mesmo, é de voar

 

Almeja minha alma que nunca tive, sequer fui

Sentar-me sobre a rígida luz invisível, oiço-os

Caminho descalço, e tenho medo do olhar

Que leve os meus olhos, e me roube as palavras

 

E o dia é cansaço, desperdício, um pequeno

Abraço, que se veste de mendigo, depois tinha na mão

O lápis envernizado de silêncio, tinha também medo

Sempre que abria a janela, e

 

O medo era só invenção de uma borboleta, despida

Sinistra a senhora envergonhada, outros os têm

Na algibeira dos sonhos

 

Se eu tivesse alma, a vendia

Não preciso de mais um sobretudo, farrapos

De que preciso mesmo, é de voar

 

02/11/2025

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