Almeja minha alma que
nunca tive, sequer fui
Sentar-me sobre a rígida
luz invisível, oiço-os
Caminho descalço, e tenho
medo do olhar
Que leve os meus olhos, e
me roube as palavras
E o dia é cansaço, desperdício,
um pequeno
Abraço, que se veste de
mendigo, depois tinha na mão
O lápis envernizado de
silêncio, tinha também medo
Sempre que abria a
janela, e
O medo era só invenção de
uma borboleta, despida
Sinistra a senhora
envergonhada, outros os têm
Na algibeira dos sonhos
Se eu tivesse alma, a
vendia
Não preciso de mais um
sobretudo, farrapos
De que preciso mesmo, é
de voar
02/11/2025
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