24 novembro 2025

Côvado

(ao poeta dos urinóis, como era conhecido em Lisboa, Mário Cesariny de Vasconcelos)

 

Nada o serei

Onde tudo o és

Meu Rei

Meu Moisés

 

E cada vez mais gosto de ti

Como o escreves em teu poema “Gato”

(Paro um pouco a enrolar o meu cigarro (chove)
e vejo um gato branco à janela de um prédio bastante alto…
Penso que a questão é esta: a gente –  certa gente – sai para a rua…)

Que eu vi e senti

E de mim faziam e fazem de gato-sapato

 

E o mato lá vai longe de crescer

Que se eu morrer das duas uma, sou cremado

E ninguém se magoa nem fica a sofrer

 

Ou fica a perder o coitado no silêncio sentido o pobre do Cruz (coveiro)

Sete palmos tem de cavar no côvado

Onde me vou deitar vestido de luz.

 

 

24/11/2025, 22:10

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