06 outubro 2025

o silêncio de uma estrela

 

os dias entre rodas dentadas, entre os dentes, óleos, lubrificantes,

octanas, o tanas, era o que era

ratos e ratazanas, simples o cosmos da imbecilidade, se hoje vier a chuva, que venha e que nos traga, outra roda

dentada,

a vaselina, ai menina, dançando no vento, e depois senta-se num banquinho,

e todas as tardes, à segunda-feira, lê a sina a quem passa,

tipo o senhor álvaro de campos, no seu quarto, à janela…

e junto à tabacaria, o esteves, coitado, dos esteves.

 

e o dia não cessa de trabalhar, e o poeta não cessa de escrever, e

de sonhar,

com o impossível, como se fosse possível, viajar no tempo, quando o tempo

ainda desconhecia e ainda não amava, outro vento

e outro tempo,

à janela, a olhar o silêncio de uma estrela.

 

(06/10/2025, 11:58h)

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