19 outubro 2025

Ao corpo o meu pertence o vento

 

Ao corpo o meu pertence o vento

A espuma entre dois mares e o dia é de chuva

Aquele livro que dorme sobre a mesa-de-cabeceira

Na ânsia de um abraço

 

Dá o cabelo sílabas ao luar

Porque a seara não sabe o significado do silêncio vento

Que a ponte sobre o rio

É um desejo

 

E o tormento lento sobejo

Ao beijo o destino em flor

Que num olhar vesgo

Não sabe o que é o amor

 

E o meu corpo é o húmus e a hóstia de uma triste tão mão

Que no rosto sujo toca e toca no tropeço vento

Se o meu corpo vento se erguesse e dormisse

Do mar eu pertencia e não ao vento corpo em solidão

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