13 outubro 2025

amoreiras em flor

 

o que sou, quando nada quase o sou,

um farrapo ou um velho trapo, tanto faz

quando já nada o faz,

e quase que jaz sob as amoreiras em flor

 

em flor o perfume, em delírio o lume

a rocha magmática no invés de uma madrugada,

em lágrimas a lareira, e nem uma palavra

na ausência do meu corpo

 

ou sombra que se desenhe na eira

que é sempre uma merda colorida

a segunda-feira

 

e o que sou eu, não o sendo ao amanhecer

e há uma lápide na despedida

deste corpo que irá morrer

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