03 setembro 2025

Vou e não vou e talvez um dia

 

Não estarei cá sem que eu perceba a latitude do amor

e a longitude da paixão...

começo a recear a altitude do desejo

contra as montanhas com flores de sorriso encarnado

quando perfumes de gotículas de poemas rompem a madrugada

e

e alicerçam-se nos tentáculos das melodias como palavras embainhadas por mim

e em ti

de ti

os outros sonhos das coisas quadradas fingindo-se de círculos apaixonados pelo silêncio

e de mim

sempre a embriaguez dos olhos na penumbra dos cortinados de vento,

 

Vou agora partir

sem sentir as outras navegantes liberdades ao amor dos peixes

dentro do meu aquário de aço

e tubos de refrigeração até encontrar os corações que escondem o mar

vou sem sentir do meu aquário

imaginando pratos de porcelana pintados com papel de incenso,

 

Vou e não vou e talvez um dia...

regressar para os braços das árvores com pássaros pernaltas

cabeças cansadas de viver no mundo dos luares

oh... nocturnas mãos de sexos internacionais como os livros em edição de autor

empilhados sobre a mesa dos guindastes enferrujados...

 

Fumo-te engasgando-me nas persianas de plástico

quando das ruas emergem as sentinelas de pano

usam lenços amarelos no fino pescoço doirado

que o ourives das coxas loiras

deixou escorregar no jardim das clarabóias.

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