Lias-me nos esconderijos
de cartão
quando a varanda voava
sobre os olhos dos telhados de vidro
lias-me no reflexo do
espelho vadio que habitava nas tuas mãos
e quando pegavas em mim
folheavas-me como se
estivesses a saborear a manga adormecida
e acabada de ser escrita,
Lias-me como se eu fosse
sou
talvez... um pássaro
apaixonado pelo vento
e pelas árvores
comestíveis dos jardins da insónia
lias-me e eu não percebia
que tinha palavras em mim
dentro do meu esqueleto
de papel,
Lias-me como um tonto
peixe procurando o amor debaixo das algas
e de verso em verso
descíamos as escadas da
dor
embebia-te e
embrulhava-te nas canções clandestinas dos rochedos de amar
vivíamos parecendo flores
em plástico
que as doiradas abelhas
comiam... e deixavas de pertencer à minha biblioteca,
Morrias
ardias na fogueira dos
cigarros infestados pelas malditas ratazanas que habitavam a caserna tuas
coxas...
morrias e lias-me como se
não existisse amanhecer
madrugada
palavras reescritas nos
teus silêncios seios com desenhos por pintar
e imagens escurecidas e
inabitáveis nas nossas vidas...
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