saberá o cortinado porque
chora a vidraça, saberá uma mãe porque sofre seu filho, seu filho mendigado
saberá o mar porque se
esconde a barcaça, ou porque morre um drogado
saberá o joio porque
dorme a primavera, saberá a chuva, se a chuva me pertencer, porque escreve o
poeta, se o poeta está a morrer
saberá este livro que eu
o amo, e se cada palavra eu semear, saberá o mar
onde se esconde o outro
mar
saberá o vento porque tem
lágrimas a montanha, se a montanha não passa de um sonho, se a montanha é um
desalento, é apenas uma pedra lançada
saberá o cortinado porque
chora a vidraça, saberá uma mãe porque sofre seu filho, seu filho mendigado,
e ninguém sabe, a não ser
eu, porque chora a vidraça
nas pálpebras do céu.
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