07 setembro 2025

e que ninguém o sabe

 

saberá o cortinado porque chora a vidraça, saberá uma mãe porque sofre seu filho, seu filho mendigado

saberá o mar porque se esconde a barcaça, ou porque morre um drogado

saberá o joio porque dorme a primavera, saberá a chuva, se a chuva me pertencer, porque escreve o poeta, se o poeta está a morrer

saberá este livro que eu o amo, e se cada palavra eu semear, saberá o mar

onde se esconde o outro mar

saberá o vento porque tem lágrimas a montanha, se a montanha não passa de um sonho, se a montanha é um desalento, é apenas uma pedra lançada

saberá o cortinado porque chora a vidraça, saberá uma mãe porque sofre seu filho, seu filho mendigado,

e ninguém sabe, a não ser eu, porque chora a vidraça

nas pálpebras do céu.

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