07 setembro 2025

Quantas são, minha querida mãe Quantas são as lagrimas de uma criança

 

Quantos ventos tem o teu rosto, quantas as luas dos teus olhos, e são quantos,

Os rios do teus seios.

Quantas palavras tem a tua boca, quantos são os abraços,

Dos teus abraços.

Quantas as flores dos teus lábios, se ao menos os teus lábios

Me falassem.

 

Quantas as estrelas do teu cabelo que fugiram do céu, quantas as lágrimas da janela do teu olhar,

Quantas as mágoas, e são quantos os mares,

Sempre que um mar se apaixona, e são

Quantos os calos das tuas mãos,

Em cada noite de insónia, na enxada invisível de um pão.

 

Quantos pássaros da floresta, tristes, muito tristes, porque nunca saberão, quantas são, e quantas foram, as flores da minha prisão.

Quantas pedras me lançaram, e das pedras que me lançam, quantas as lágrimas de uma criança, só,

E sem esperança, de saber quantas são as feridas de um poema, de uma cabana, ou de um poeta, louco, louco desde a nascença.

 

Quantas são, minha querida mãe

Quantas são as lagrimas de uma criança.

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