18 setembro 2025

O poeta com cabeça de roda dentada

 

Uma roda dentada,

À estalada com um parafuso de pressão, tão alegre, tão em tesão

O aço travestido de momento flector, doem-lhe os testículos e mesmo assim, não desiste de resolver a equação.

 

Senta-se, poisa a cabeça na esfera do silêncio, antes tinha pregado na parede da sala

Um crucifixo em madeira cansada, pelo temporal que se avizinha, das escadas não vinha

Nem a sombra, nem tão nada pouco, a gambiarra que pertenceu ao avô, Domingos.

 

Iam à missa, e eu ia para as minhas aulas de costura quântica, onda nada seduzia, nem a luz,

O cinzeiro a abarrotar de palavras, depois

De eu,

Fumar todas as palavras.

 

É foda, desenhar e dimensionar, uma roda dentada.

É foda mais do que foda, projectar um parafuso, ou uma correia trapezoidal e, no entanto, eu escorregava, e quase que escorreguei nos lubrificantes,

Os órgãos, todos eles, eu os estudei,

Das máquinas que nem eu imaginava, que existiam, e que eram tão belas, e que são tão úteis, para os meninos e para as meninas,

Depois do lanche; chegava o circo.

 

Olho para a minha professora de costura quântica, e percebo que a única roda dentada presente na sala,

 

Sou eu.

 

O poeta com cabeça de roda dentada.

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