18 setembro 2025

A guitarra

 

A guitarra de braços abertos, para mim

Que quase nada tenho braços, aliás

O meu peso é igual à chuva, quando as pedras resolvem descer

A montanha, uma erva se ergue, esvoaça e foge para parte incerta,

À certa, e por mais incorrecto que seja

Depois, me abraça.

 

E o que faço eu, a este

Abraço?

 

A faca que me quer comer, como se eu fosse um pedaço,

De pão tão duro como a pedra do meu coração, deixei de sentir os sentidos pêsames, dos outros

E mesmo assim, querem que eu seja uma árvore, ou uma serpente

Tão fina e tão fina, como muita gente

Que de finura, nada têm.

 

Nem sequer um número de polícia, uma identidade abstracta, do nocturno sigma quando a lava é ejaculada pelo pénis da alvorada, ouvem-se mais guitarras, e mais facas

E muitas mais pedras,

Lançadas.

 

Sofres por tudo isto, eu sei que sim, por mim

E não está correcto, não é o certo

E eu,

Eu não o mereço.

 

A guitarra de braços abertos, para mim

Que quase nada tenho braços, aliás

 

Sento-me e te espero. Aqui.

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