A mesa ajoelhada sobre o
soalho da aldeia, à sua volta, quatro cadeiras sentadas,
Uma agulha, vesga, também
ela, não sentada, olha o guardanapo, coitado dele, uma vezes saboreia os
lábios, outras vezes
Enfiado no cu de um
qualquer transeunte abrupto, de sorriso nos lábios, apeado junto ao rio, espera
o cacimbo, e olha a mesa
O cacimbo das catorze
horas e trinta e dois minutos já saiu menina, o cacilheiro apitava para a mesa,
a mesa
Olha um grilo junto à
lareira em pequenas fumaças de iodo, mas depois o sargaço adivinhava sempre o
braço que transportava a seitoira, de olhos cinzentos, e quando batia numa
pedra,
Ela,
Chorava
As antenas do grilo captavam
os sinais sonoros e binários que quase em certeza, só podiam ser do vizinho da
cave, um gajo poeirento, um gajo quase sardinha, depois do jantar, depois da
chuva, a mesa ajoelhada sobre o soalho da aldeia, no entanto
01100001 01101101
01101111 00101101 01110100 01100101,
E amanhã,
A ventoinha deixa de voar
sobre o mar,
Este mar destemido, sem
sentido, envergonhado e malvestido,
Até um qualquer poema, de
merda, sobre também a mesa
O talher em prata, sobre
também a mesa, o prato despido, onde poisam as mamas da tia Adosinda, esta teima
Teima que tenho de lhe
devolver os dois escudos e cinquenta centavos que me dava quando eu lhe ia
levar o almoço, depois
Descia a calçada, e
Senhor Grifo uma carteira
de cromos se faz favor, como está a tia Adosinda, perguntava-me ele, e eu,
Lá anda, sentada, também
sobre a mesa ela
E eu não sabia quantas
gaivotas estavam poisadas sobre o telhado, sobre a mesa, sobre o soalho da
aldeia, vou ao mapa, e vou escolher uma, e escolhi
Carvalhais
E lá ouvia os silêncios
do milho, a antena no último sinal do grilo, parece que sim,
01110001 01110101
01100101 01110010 01101111 00101101 01110100 01100101,
E depois,
Ouvia a mesa sobre o
soalho da aldeia, o avô Domingos deixou de fumar porque a avó Silvina, teimava
Queria uma casa, o
dinheiro começou a encher a lata, agora que penso, odeio stocks, de grava em
punho,
Fez a casa, depois,
A casa depois ardeu, e
morreu
Do milho nunca se sabia
como acordavam as borboletas que sorriam na toalha, bordadas pela dona Arminda,
que chatice,
Parece, desaparece, o rio
que corria para o mar
Do mar que me apedreje o
primeiro barco, estou grávida
Mas as lágrimas são
cinzentas, são percas debaixo de água, quase o centeio
Da última cubata de bico
amarelo.
O jantar.
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