22 setembro 2025

Existir

 

O sabonete sabe sempre onde está cada curva do teu olhar e cada olhar do teu corpo é apenas a infância vestida de primavera

Não e que não tenho pássaros para te dar nem sementes para um dia

A poesia em ti semear a razão de existir

Resistir e desistir

De partir

E pegar na charrua alma e lavrar o teu corpo em fogo perdiz escondida atrás de um rochedo

 

Já tive em mim o medo e agora não tenho mais medo

Do medo

Do vizinho desalmado lançando pedras contra o meu jardim

Mas o meu jardim nunca irá morrer porque o meu jardim é apenas um jardim de palavras e não de ervas

E as palavras nunca ardem quando amam o sabonete que sabe sempre onde está cada curva do teu olhar e cada olhar do teu corpo é apenas a infância vestida de primavera

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