22 setembro 2025

Amanhecer

 

Talvez eu nunca venha a pertencer-te amanhecer

Sempre que a gaivota noite se despede do açafrão

E se despe docemente em frente ao espelho doente e canta a flor

Os versos do capitão (livro de Pablo Neruda, poeta Chileno) na areia fina do mussulo

Talvez amanhecer eu nunca te pertença ou na dor

Ou até na matança

 

Nem tenho a esperança no teu beijo se dos teus lábios se erguerem a maré e não o só

Eu o só

Sem fé e sem dó

 

Que o poeta não o sou que nunca verei os teus olhos nos olhos que sempre te vêem ficam a arder

Por isso não me canso de ler e não ver

Os teus olhos amanhecer

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