17 setembro 2025

E será isto, o viver?

 

O delírio, de quando a espada do silêncio se crava no silêncio, da tua voz ausentada, a milhares de pássaros em pertinência caducidade, no abraço e no espaço, o vácuo invisível de um olhar, que te pertence, e que aparece, e desaparece, a cada triste luar

 

A voz ensurdecedora da tua voz quase espuma, milhafre envenenado no cume da montanha, quase lá, o estou e o pertenço

O fio de nylon que apenas o sorriso sabe decifrar, depois de uma lágrima, semeada na alvorada

 

O viver, estando quase preso a esta espada, que se crava, e que se alimenta do meu sofrimento. Depois são as vírgulas da vida, depois são os destinos comestíveis de uma flor, que é quase luz, e que pertence aos lábios de uma abelha

 

E que depois é dor, sabendo ela que os mares desbotados da minha mão, o são

E o é, amor

 

Sabendo ela, que cada porta arrombada, outra porta emerge como um falcão de sombra em recta linha pelo espaço deserto de uma colmeia, e que semeia a charrua quase orgia, quase miniatura, da espada, que se crava

No meu peito,

 

E será isto, o viver?

 

(17/09/2025, 2:51)

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