11 setembro 2025

É quase orvalho na espuma meia-lua na quase meia-noite no dorso de uma pomba,

 

É quase orvalho na espuma meia-lua na quase meia-noite no dorso de uma pomba,

É quase meia-luz nas janelas escuras do silêncio, é quase meia-chuva

Na fonte que não brota mais,

É quase pedra, e é vida, disfarçada,

De pedra.

 

É quase madrugada, mas não é a madrugada

Pode ser espada, pode ser

A palavra,

É quase meio-desejo, do meio-beijo

Quando a jangada se inverte, e quase meio-mar,

Todo ele,

Poisado na minha meia-mão.

 

É quase meia-droga nas outras meias-flores, meias-pedras, meio-lançadas,

Devagarinho,

Em pedacinhos,

Para não fazer barulho,

É quase sorriso, mas apenas é

Meio-meio-sorriso,

É quase meia-equação, na mão

 

Do Abrantes (prof. Mário Abrantes), é quase meio-cabelo,

Na cabeça, dele, do Abrantes

É quase árvore, quase, quase

Meio-uísque com gelo, disfarçado de Moisés, e de Cristo, e de toas as meias-gabardinas suspensas no pénis de uma flor mais macho do que o macho do Caixote (dos ciganos mais respeitados dentro e fora do concelho de Alijó), e depois

 

Meia-vida, enfeitada, de nada

Meia-sanzala disfarçada de sala de visitas, meio-vinil, quase em contramão, e se ele morrer,

O que será de mim,

 

É quase meio-destino, sentido o vento, pedindo à chuva, outro vento

Pedindo ao vento, mais capim

E mais alimento,

É quase meio-atelier, mas é apenas meio-atelier, quando a meia-noite, e trouxer a meia-chuva,

 

E outra tanta meia-chuva dorme no meu peito.

 

(11/09/2025, Alijó)

Sem comentários:

Enviar um comentário