É quase orvalho na espuma
meia-lua na quase meia-noite no dorso de uma pomba,
É quase meia-luz nas
janelas escuras do silêncio, é quase meia-chuva
Na fonte que não brota
mais,
É quase pedra, e é vida,
disfarçada,
De pedra.
É quase madrugada, mas
não é a madrugada
Pode ser espada, pode ser
A palavra,
É quase meio-desejo, do
meio-beijo
Quando a jangada se
inverte, e quase meio-mar,
Todo ele,
Poisado na minha meia-mão.
É quase meia-droga nas
outras meias-flores, meias-pedras, meio-lançadas,
Devagarinho,
Em pedacinhos,
Para não fazer barulho,
É quase sorriso, mas
apenas é
Meio-meio-sorriso,
É quase meia-equação, na
mão
Do Abrantes (prof. Mário
Abrantes), é quase meio-cabelo,
Na cabeça, dele, do
Abrantes
É quase árvore, quase,
quase
Meio-uísque com gelo,
disfarçado de Moisés, e de Cristo, e de toas as meias-gabardinas suspensas no
pénis de uma flor mais macho do que o macho do Caixote (dos ciganos mais respeitados
dentro e fora do concelho de Alijó), e depois
Meia-vida, enfeitada, de
nada
Meia-sanzala disfarçada
de sala de visitas, meio-vinil, quase em contramão, e se ele morrer,
O que será de mim,
É quase meio-destino,
sentido o vento, pedindo à chuva, outro vento
Pedindo ao vento, mais
capim
E mais alimento,
É quase meio-atelier, mas
é apenas meio-atelier, quando a meia-noite, e trouxer a meia-chuva,
E outra tanta meia-chuva
dorme no meu peito.
(11/09/2025, Alijó)
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