do fogo a
serpente-livro-poesia que às vezes se alimentava, do pouco que tinha, e do nada
que sobrava e que também se escondia
a viúva compôs sua
vidinha, emersa nas pétalas da vizinha,
a serpente-livro-poesia,
sempre que o podia
ajoelhava-se no perfume
de uma pedra, e se erguia, e depois mentia, e em mim, se sentava
sabia, que a madrugada, e
que cada socalco da maresia, um dia no pérfido entre amigas, as algemas
encadeadas, dobradas
sobre a espuma de um
beijo,
terminariam em circo de
aldeia
e no fogo a fogueira de
luz, e da luz
o primeiro olhar depois
da chuva, e sempre que o mar
traz um barco a esta
mesa, há uma serpente, uma apenas
a serpente-livro-poesia,
quando o fogo é mania, e
nas mãos um cigarro envenenado, cada qual é como o tal, igual e normal
se um campo de centeio
loiro na noite infernal arder, de tédio, e de prazer
no fogo a
serpente-livro-poesia que às vezes se alimentava, do pouco que tinha, e do nada
que sobrava e que também se escondia
e que também chorava.
Sem comentários:
Enviar um comentário