07 setembro 2025

a serpente-livro-poesia

 

do fogo a serpente-livro-poesia que às vezes se alimentava, do pouco que tinha, e do nada que sobrava e que também se escondia

a viúva compôs sua vidinha, emersa nas pétalas da vizinha,

a serpente-livro-poesia, sempre que o podia

ajoelhava-se no perfume de uma pedra, e se erguia, e depois mentia, e em mim, se sentava

sabia, que a madrugada, e que cada socalco da maresia, um dia no pérfido entre amigas, as algemas encadeadas, dobradas

sobre a espuma de um beijo,

terminariam em circo de aldeia

e no fogo a fogueira de luz, e da luz

o primeiro olhar depois da chuva, e sempre que o mar

traz um barco a esta mesa, há uma serpente, uma apenas

a serpente-livro-poesia,

quando o fogo é mania, e nas mãos um cigarro envenenado, cada qual é como o tal, igual e normal

se um campo de centeio loiro na noite infernal arder, de tédio, e de prazer

no fogo a serpente-livro-poesia que às vezes se alimentava, do pouco que tinha, e do nada que sobrava e que também se escondia

e que também chorava.

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