não me pertenço, e o
cansaço desce, devagarinho pelo cortinado da ausência, uma amêndoa, morre
sobre a eira de
carvalhais
olho-me ao espelho da
mendicidade, a tristeza, é
a alegria do meu viver
abasteço os popós, limpo
a loja e as latrinas, ordens do patrão,
porque estavam uma
miséria
depois do banho, comi e
sim
agora posso escrever
qualquer coisa mais parecida com o milagre da chuva
quando o capim se ergue,
e uma borboleta dança sobre a mesa
não me pertenço, e o
cansaço desce, devagarinho pelo cortinado da ausência, de estar ausente, dentro
de um livro, ou
ou nas páginas de uma lápide
e daqui a pouco será dia
e uma colmeia viverá para
sempre no desejo da despedida.
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