06 setembro 2025

a eira de carvalhais

 

não me pertenço, e o cansaço desce, devagarinho pelo cortinado da ausência, uma amêndoa, morre

sobre a eira de carvalhais

olho-me ao espelho da mendicidade, a tristeza, é

a alegria do meu viver

abasteço os popós, limpo a loja e as latrinas, ordens do patrão,

porque estavam uma miséria

 

depois do banho, comi e sim

agora posso escrever qualquer coisa mais parecida com o milagre da chuva

quando o capim se ergue, e uma borboleta dança sobre a mesa

 

não me pertenço, e o cansaço desce, devagarinho pelo cortinado da ausência, de estar ausente, dentro de um livro, ou

ou nas páginas de uma lápide

e daqui a pouco será dia

e uma colmeia viverá para sempre no desejo da despedida.

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