Um pedacinho de sémen em
lágrimas, em círculos completamente loucos, completamente, sós
Que há um fio que se puxa
e depois vem o vento, quando a mão cintila, à porta da caverna, na alegoria, e
sento-me, enquanto ainda pedacinho de sémen, em lágrimas, oiço já a voz de
minha mãe, cada vez mais invisível, cada vez mais só, também
Um pedacinho de lágrimas,
em sémen ainda, a página de um livro de poemas, manchada, parece cola
Mas não era cola, era apenas
eu, ainda, um pedacinho de sémen, em lágrimas
E cada rio que eu
beijava, uma ponte entrava em colapso,
E caía sobre o rochedo
pigmentado de outras primaveras
Ainda todas desarrumadas,
porque diziam
Que coitadas, são as
montanhas desenhadas, pela mão de uma criança
Que sismo mais feroz,
maior o tormento de uma lágrima, também ela, pedacinho como eu de sémen
O Reinaldo Arenas,
olha-me porque me deixo cair sobre o telhado da tristeza, e que voava
Voava como um menino
Saltitando, e dançando
sobre a mesa
Nem uma pistola dispara a
bala contra o pedacinho de sémen em lágrimas, no xisto a voz esguia e severa,
se a noite for capaz, ela gritará,
Pára, pára…
Pára
E a roda e o destino não
sabem parar, não sabem o que é ter fome, e ter sede, e ter comida e ter a
bebida, que às vezes, não me importava, que fosse cicuta
Que fosse marmelada, que
fosse dizia-te, que fosse o horizonte de um triciclo suspenso na lâmina
inferior de uma agulha,
Que é milagre, um motor
sem combustível, entrar em combustão
Que a mão crava sobre o
peito o punhal de cartão, colorido por dentro, crua
Chorando por fora,
Toda nua, ainda charrua
E depois lua
Não sei a quem me
pertenço, ou se o diga, nas traseiras de uma lágrima de sémen em pedacinhos,
A igreja já fechou menino
A igreja e os peregrinos,
Pensei eu, que pensava
que sabia pensar
Que acreditava, que
quando alguém chorava, uma espingarda
Disparava, contra a boca
do inferno, uma palavra
E de pedacinho de sémen
em lágrimas em pedacinho de sémen em lágrimas, hoje sou,
Um queijo
Sou hoje um poema de mil
páginas de sémen em lágrimas, sou uma cama alegre, de estrelas e de flores,
Sou hoje outro pedacinho
de sémen, em lágrimas
Que às vezes a chuva não consegue
molhar, e quando me toca, é tão leve e leve,
Como uma carta envenenada
Do correr de uma lebre ou
do sorriso do mar
Sou um pedacinho de lágrimas
em sémen, sou uma bala disparada
Do cano de uma espingarda,
Sim, eu. O poeta sem
madrugada.
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