25 agosto 2025

Se me esqueço, perco-me!

 

Se me esqueço, perco-me no sombreado silêncio de uma duna, onde poisa uma abelha, onde habita uma pluma,

Da luz, à candeia de uma orelha, na distância do rio

Cada socalco, cada videira

Cada teu seio, cada teu olhar

A tua mão, que procura, a minha mão na noite anterior,

Em cio

 

Se me esqueço, eu o desejo

Cada degrau que subo, cada beijo

Há sempre uma árvore a brincar, há sempre uma manhã a acordar…

Há sempre o vento em teu cabelo, em teu alento, antes que seja a noite,

Depois de sorrir o mar

 

Se me esqueço, não adormeço, e durmo como uma flor cansada, cada átomo, cada pedra lançada, cada nuvem chorada, e eu às vezes, me esqueço

E a chuva é tão alegria, como o é

O livro que escrevo, como o é

A primeira lágrima de uma criança…

 

Se me esqueço, perco-me!

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