06 agosto 2025

Sabíamos que aquele rio nunca mais iria correr para o mar, e mesmo assim, ele roubou um pequeno barco em papel que estava esquecido no tanque, e zarpou

Sabíamos que aquele rio nunca mais iria correr para o mar, e mesmo assim, ele roubou um pequeno barco em papel que estava esquecido no tanque, e zarpou

Ela dizia-lhe

Não, não vás

E eu fui, e horas depois, encalhei junto às pequeninas pedrinhas de mínimos cubinhos de areia, e por lá ficou

E talvez ainda lá ande, hoje, tantos anos depois.

 

O fogo era a espuma de uma insónia, ele acreditava no destino, ela desenhava, na ardósia sobre os joelhos, e eu olhava-a como se ela fosse uma gaivota, ou uma serpente

À procura da maçã.

 

Ou chapinhando a mãozita na água, ou folheando um livrito de poesia. eu olhava e deixei de ver o tanque, e a água escasseava, e o vento era cada vez menos, o vento

Levantou as velas e as asas, olho o sol

E vi uma dízima de suor no espelho da casa de banho, era tão tarde que ele acreditava no destino, e que ela desenhava, numa ardósia sobre os joelhos, o fim de uma tarde, junto ao rio.

Sem comentários:

Enviar um comentário