Sabíamos que aquele rio nunca mais iria correr para o mar, e mesmo assim, ele roubou um pequeno barco em papel que estava esquecido no tanque, e zarpou
Ela dizia-lhe
Não, não vás
E eu fui, e horas depois,
encalhei junto às pequeninas pedrinhas de mínimos cubinhos de areia, e por lá
ficou
E talvez ainda lá ande,
hoje, tantos anos depois.
O fogo era a espuma de
uma insónia, ele acreditava no destino, ela desenhava, na ardósia sobre os
joelhos, e eu olhava-a como se ela fosse uma gaivota, ou uma serpente
À procura da maçã.
Ou chapinhando a mãozita
na água, ou folheando um livrito de poesia. eu olhava e deixei de ver o tanque,
e a água escasseava, e o vento era cada vez menos, o vento
Levantou as velas e as
asas, olho o sol
E vi uma dízima de suor
no espelho da casa de banho, era tão tarde que ele acreditava no destino, e que
ela desenhava, numa ardósia sobre os joelhos, o fim de uma tarde, junto ao rio.
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