05 agosto 2025

É tão triste ser poeta, meu amor! Tão triste

Nas asas do olhar nocturno, a mãe que nasce a cada flor acordada, e observa o filho submerso na espuma de um milhafre, ferido, encadeado pelo sono, é noite absoluta, e foi estrela desenhada no silêncio de um simplificado e horrível, círculo de luz.

 

O teu corpo é espuma que dança no leito de um orgasmo, dos teus seios, a lágrima e o desejo de os beijar incessantemente, e a cadência milenar de uma alegre manhã, se a lua sangrenta for a penumbra de uma mão, ausente, deste rosto que sofre e que sente…

 

O teu corpo é a flor, e o prazer nas pétalas de uma duna alicerçada ao infinito olhar, o teu corpo é a sílaba que semeia no meu sexo o alegre acordar da manhã,

E da circunferência de um olhar, que quase toca a noite sitiada na fragrância montanha que se despe, e que despede de mim…

Que se olha ao espelho a cada palavra escrita, e lançada contra o vento da tua púbis.

 

É tão triste ser poeta, meu amor! Tão triste.

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