O carrasco me leva, ata-me antes que eu desfaleça, as mãos e os pés,
Coloca-me um pano negro
nos olhos, e começo a ver um ponto luminoso, lá longe
Tão longe de onde eu vim,
e tão pertinho,
Para onde eu vou.
São tantos os barcos na
minha vida, e dos mares imaginados, e sonhados,
E desenhados sobre a
espuma de um sorriso,
Começo a sentir uma leve
dor no tornozelo direito, a corda invisível que o aprisiona, aperta-o e sinto-o
Em cada madrugada sem ler.
O monte desce a calçada
esguia, perfumada até à esquina de uma árvore em desejo, o pastor e o seu
rebanho, tantos são os poemas amorfos e coloridos de uma guitarra,
Cada milímetro da pele do
sono é um guindaste entre condomínios encerrados, pelo vento, pela chuva,
E pelos gritos da alvorada.
E o carrasco me sorri, e
o carrasco, sou eu mesmo, o poeta deste livro, o olvido destino da última
lágrima no silêncio de uma andorinha, e se amanhã chover
Serei eu a primeira erva
fresca do dia…
E a última rosa do teu
olhar!
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