02 agosto 2025

Mar de lágrimas

Talvez traga o vento do olhar da duna, um túnel crava-se-lhe no peito adormece-o e mata-o, ele morreu ainda menino, e o vento era criança

Depois do vento, a tenaz figura de uma pedra, numa lágrima de fogo

Sem medo ao horror, sem noite para pontapear, depois de a geada acordar junto ao mar.

 

Talvez amanhã regresse à lua, e por lá fique, quase o meu corpo um pêndulo de espuma, suspenso pelo pescoço, o poeta agonia, desfalece e sorri

E tão feliz que ele está, que aos poucos se transforma em pássaro, que voa sobre o mar, sobre um mar de lágrimas

Em chamas.

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