(a mulher deste poema é a
mãe do poeta no leito da morte)
Eu te tocava, e na ausência do teu corpo
Procurava na geada a tua
mão gélida, da tua mão ausentada
Porque enquanto eu te
tocava, nos meus ombros pousava
O cacimbo da manhã
envenenada
Eu te tocava, e eu te
gritava, e escrevia o teu nome no capim quase fogueira, ou quase nada
Do teu nome, e eu te
tocava
E a tua voz me gritava, e
a tua voz…
Partia como uma flecha,
ou apenas como a madrugada
Acabada de nascer,
acabada eu de te tocar
Sem que tu percebesses
que eu te tocava, eu te tocava
E procurava o teu corpo
quase pó nas mãos de uma sanzala, e eu te tocava, e te procurava nos lençóis de
chuva, porque em Setembro chove porque eu te tocava
E na ausência do teu
corpo, eu te tocava na mão, eu te tocava, e sentia cada fio de dor do teu
corpo, que eu te tocava, que te tocava
E procurava
A tua mão ausentada.
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