16 agosto 2025

Eu te tocava, e na ausência do teu corpo Procurava na geada a tua mão gélida, da tua mão ausentada

(a mulher deste poema é a mãe do poeta no leito da morte)

Eu te tocava, e na ausência do teu corpo

Procurava na geada a tua mão gélida, da tua mão ausentada

Porque enquanto eu te tocava, nos meus ombros pousava

O cacimbo da manhã envenenada

Eu te tocava, e eu te gritava, e escrevia o teu nome no capim quase fogueira, ou quase nada

Do teu nome, e eu te tocava

E a tua voz me gritava, e a tua voz…

Partia como uma flecha, ou apenas como a madrugada

Acabada de nascer, acabada eu de te tocar

Sem que tu percebesses que eu te tocava, eu te tocava

E procurava o teu corpo quase pó nas mãos de uma sanzala, e eu te tocava, e te procurava nos lençóis de chuva, porque em Setembro chove porque eu te tocava

E na ausência do teu corpo, eu te tocava na mão, eu te tocava, e sentia cada fio de dor do teu corpo, que eu te tocava, que te tocava

E procurava

A tua mão ausentada.

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