03 agosto 2025

A duna

 

A duna se veste de negro, a cada gotícula de silêncio, é-lhe atribuído um número, na solidão de uma mão

De espada em punho, depois de se erguer das mais profundas madrugadas, a primeira lágrima da alvorada, dentro da duna, chove, e os gritos parecem sonâmbulas estrelas em círculos de luz

 

Sobre a espuma do dia, nada a dizer, apenas algumas parvoíces, que eu o estava a roubar, pois os dez poemas que eu lhe vendia, não eram dez poemas, mas sim,

Oito, poemas

É o que diz aqui no caderninho, gritava o palerma…

Não sabendo o imbecil, que dez poemas de amor

Não ocupam no caderno, o mesmo espaço, do dez poemas de dor

 

E às dezassete horas, puxo de um cigarro e grito: foda-se.

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