21 julho 2025

enquanto te dispo

dispo-te, no sémen amanhecer de um olhar, no silêncio derrocar, de uma lágrima chorada

que também procura o mar, que também escreve e enterra

o poema desvario, na terra lavrada

que te dispo, que te toco

ao nascer do sol

 

que te beijo, que te escrevo

e te dispo, no sorriso do pôr-do-sol

que olho os teu seios, e que os beijo

e que lhes bebo, a cicuta dos teus lábios

 

que te dispo, escrevendo na tua pele

a primeira primavera de uma criança, o primeiro nevão

o primeiro desgosto de o ser e de o mar, e o amar

um barco rabelo, tão gasto, tão velho

como o cordel invisível que me aprisiona ao último comboio…

 

enquanto te dispo.

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